Mídias
CD-R
Por
Alberto Cozer*
Introdução
Todo mundo acha uma grande bobagem todas aquelas informações
que acompanham cada CD em suas embalagens, sobre velocidades de gravação,
leitura, cor da mídia, garantia e, no fim das contas, acabam comprando os
famosos "spindles" de 100 CDs a R$ 1,99 cada no camarada do jornal.
Será que a cor da mídia é uma mera característica de cada fabricante?
Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que não existe
"a mídia" que vai servir a você em todos os seus trabalhos. Você não
pode olhar para um CD e dizer se ele é bom ou não simplesmente por sua cor ser
prata, dourado, verde ou azul. Para cada trabalho, gravador e leitor existe uma
mídia mais recomendada. Por mais que as cores da superfície de gravação
sejam iguais ou muito parecidas, dois CDs de um mesmo fabricante podem ser
completamente diferentes.
Muita tecnologia se esconde por trás das cores das faces de
gravação. Vamos detalhar a maneira como eles são feitos e quais são as
principais características de cada um, para que você fique bem informado e não
confie quando o piratão da esquina disser que o CD dele é melhor porque é
"gold".
Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos pensam, o
material usado na constituição da mídia nada interfere em sua capacidade de
armazenamento. Aquele papo de que não existe CD de 680 MB de uma cor ou de
outra é pura balela. No CD esta capacidade está ligada basicamente ao tamanho
do disco, principalmente da camada de gravação e pode comportar 21 minutos de
áudio, ou 184 MB, 63 minutos de áudio, ou 553 MB, 74 minutos de áudio, ou 650
MB ou 80 minutos de áudio e 700 MB. Tudo em número aproximados.
Este último, também conhecido como CD-R80 é um produto
especial que foi desenvolvido pela TDK para auxiliar a indústria de software e
por sua dificuldade em se encontrar no mercado mundial de uma forma geral acabou
se tornando um eficaz impecílio à pirataria em muitos países, inclusive o
Brasil, onde são raros e caros esses CDs. Infelizmente não é todo equipamento
que é capaz de gravar e/ou ler nesta mídia, uma vez que ela pede calibragem
especial na velocidade de leitura e gravação.
A constituição do CD
Basicamente, todos os CDs são constituídos em cima de uma
superfície plástica, que pode variar muito de fabricante para fabricante. Isso
não importa muito para nós e aqui basta saber que existem plásticos mais rígidos,
outros menos rígidos, alguns mais quebradiços, outros com características que
o tornam opaco com o tempo, etc. Felizmente, a grande maioria de fabricantes
acaba optando por material de qualidade, até porque não encarece tanto a produção.
Ainda assim existem casos de CDs esquecidos no carro que, com o calor excessivo,
liberaram gases corrosivos provenientes desse plástico que os danificaram e o
pior: danificaram a cabeça de leitura do CD Player.
Geralmente os CDs que garantem durabilidade maior são feitos
com ligas plásticas de melhor qualidade e menos suscetíveis a alterações
climáticas. Ligas mais vagabundas (normalmente encontradas em mídias mais
baratas, abaixo de R$ 2,50) são naturalmente mais vulneráveis à dilatação térmica.
Assim, o simples fato de colocar o CD em um drive que esquente muito pode
reduzir sua vida útil em meses e fazer com que ele não seja mais lido em
outras unidades.
Em cima deste plástico, em uma só face, é aplicado uma
camada sensível a determinados comprimentos de onda. É a camada de gravação
propriamente dita.
No CD de face azul esta camada é feita de um material
especial denominado cianino. Esse material é um composto metálico com
propriedades eletromagnéticas especiais cuja composição não é revelada
pelos fabricantes. Por tratar-se de uma tecnologia comercial, provavelmente só
teríamos acesso a seus componentes se pagássemos por isso. O cianino tem uma
cor predominantemente azulada (ciano).
Nos CDs de face dourada, prateada e esverdeada, esta camada
é formada por uma variação do composto cianino, denominado fitohalocianino
que pode ser mais ou menos azulado de acordo com as concentrações dos
compostos básicos do material. Alguns especialistas estipulavam que CDs que com
fitohalocianino devam ser necessariamente mais baratos, uma vez que sua
concentração de cianino é menor e que estes CDs seriam voltados para o
mercado de baixo custo, mas isso não é verdade. O que ocorre é que alguns dos
compostos do cianino original foram substituídos e outros foram acrescentados
nesse novo cianino, por motivos não revelados, mas que está ligado à
durabilidade e que já estaremos vendo. A fama de "CDs de baixo custo"
criou uma cultura que ainda hoje pode ser facilmente detectada que afirma que os
CDs de coloração azul são os melhores sem embasamento técnico e científico
algum.
Sobre esta camada é aplicado o material reflexivo unicamente
metálico. Essa camada pode ser constituída de duas diferentes ligas: uma liga
de prata ou uma liga de ouro 24 K. Naturalmente, o ouro possui maior
durabilidade e menor suscetibilidade a danos do que a prata.
A cor final resultante da face de gravação do CD é
determinada pela camada reflexiva e pela camada de gravação e por suas
concentrações.
As mídias azuis são feitas de cianino em alta concentração
com uma camada reflexiva a base de prata. As mídias douradas e prateadas são
feitas com uma camada de fitohalocianino sobre uma camada a base de ouro. Isso
joga por água abaixo aquela velho raciocínio de que os CDs prateados são
feitos de prata. Alguns modelos levam nessa liga de ouro uma determinada proporção
de alumínio, que ajuda a gerar a cor final resultante. Praticamente todos as mídias
prateadas são feitas com camadas com ligas de ouro e a indústria não se
manifestou para desdizer esta afirmativa, o que significa que ainda não existem
no mercado mídias prateadas feitas com camada reflexiva com ligas unicamente de
prata.
Especificamente no caso do CD esverdeado, é preciso saber
que ele tanto pode ser feito com o fitohalocianino quanto com o cianino. Sempre
com camada reflexiva em liga de ouro.
Na Figura 1 você pode observar o esquema de camadas em um
CD. A cabeça de leitura do drive está na figura apenas para demonstrar qual é
a face de leitura.

Figura 1: Esquema de básico camadas em um CD-R.
A camada de adesivo ilustrada na Figura 1, nos CDs mais
baratos pode simplesmente não existir, o que faz com que tanto a camada de
gravação quanto a camada metálica possam ser arrancadas quando cola-se e
retira-se uma etiqueta do CD. Desconfie de CDs que tenham o lado contrário ao
da gravação muito brilhosas nas cores prata e ouro. Os grandes fabricantes de
CD fazem questão de inserir camadas adesivas em seus CDs com suas propagandas,
nome e informações sobre o CD. Um arranhão nessa superfície quando ela não
está protegida por um adesivo qualquer é inúmeras vezes pior do que um arranhão
na face de leitura.
O primeiro CD gravável foi produzido para a Mitsui, pela
Taiyo Yuden, que desenvolveu uma liga de ouro com cianino resultando na coloração
esverdeada. O processo que produz os CDs dourados a base de ouro e
fitohalocianino foi desenvolvido pela Toatsu Chemicals. Já a Verbatim
desenvolveu a mídia azulada, composta por ligas de prata e uma camada de
cianino. Os CDs prateados - que só chegaram ao mercado em 1998 - foram
inventados pela Ricoh e trata-se de uma camada de ouro sobre um "advanced"
fitohalocianino. Isso explicaria a coloração prateada do CD apesar de uma base
reflexiva de ouro. Outros fabricantes que entraram posteriormente no mercado
começaram a produzir mídias prata com o fitohalocianino convencional, mas
acrescentando concentrações mais altas de alumínio à liga reflexiva. São os
CDs prata/esverdeada, mais baratos do que os irmãos com a tecnologia da Ricoh.
Existem dois motivos básicos para essa riqueza de mídias
encontradas no mercado. O primeiro motivo é que como cada um destes compostos
é um composto comercial, nenhuma empresa que deseje produzir CDs pode usar
livremente a tecnologia de outra sem pagar nada. Parece ser lógico acreditar
que nenhuma empresa vai querer vender sua tecnologia para uma concorrente, por
mais que isso custe. Assim, se uma nova empresa deseja produzir CDs tem que
criar suas novas ligas e camadas, apesar de todas serem baseadas em conceitos
fundamentais que permitem generalizar o cianino e o fitohalocianino para todas.
Alguns CDs, como o "Infoguard" da Kodak possuem
ainda camadas extra que têm unicamente a função de aumentar a vida útil do
CD. Essas camadas são basicamente sistemas que protegem contra arranhões e
alguns que permitem arranhões até determinada profundidade. Hoje em dia quase
todas as mídias (exceto as extremamente baratas) possuem sistemas como este, não
necessariamente com a mesma tecnologia, mas com intuito semelhante.
Já os CDs-RW possuem uma composição completamente
diferente, excetuando-se a camada plástica. Em substituição ao composto de
cianino e à liga metálica reflexiva é colocado uma espécie de cristal que
torna-se opaco ou translúcido de acordo com o comprimento de onda que o
atravessa. Esses CDs refletem apenas 30% do raio incidente, o que impossibilita
que eles sejam lidos em qualquer drive de CD (os CDs convencionais refletem de
70% a 80% do raio incidente). A leitura dos CD-RW só é possível em drives que
possuam um circuito denominado AGC, ou em português, Controle Automático de
Ganho, que compensa esta "má reflexão". Os fabricantes nunca
emitiram uma nota sequer comentando a composição destes CDs e qualquer coisa
que você encontre sobre esse material especial de gravação é mera especulação.
A Qualidade e Utilidade das Mídias
Como já foi dito, não existe "a mídia" que você
vai usar para todas as situações. Cada uma delas serve bem para com uma ou
outra necessidade. Vamos começar descrevendo a qualidade de cada mídia de
acordo com preço, material e adicionais por fabricante para então darmos
utilidade a elas.
Quando falei dos CDs-RW pode ter ocorrido a você que existem
diferentes preços para eles, desde R$ 9,00 até R$ 50,00. E não é difícil
entender o motivo dessa variação toda: qualidade do material. Quanto mais
barato o CD-RW, menor a vida útil e potencial de uso do CD, ou seja, os CDs-RW
mais baratos deixam de ser regraváveis com o tempo. O cristal que torna-se
transparente ou opaco de acordo com o comprimento de onda vai perdendo
gradativamente esta capacidade com a gravação/desgravação do disco. Os
discos mais caros são feitos com cristais que envolvem maior tecnologia e durarão
mais. Tenho um CD-RW da Ricoh que comprei por R$ 14 e que me permitiu apenas 2
regravações do backup. Hoje ele nada mais é do que um CD-R comum! Com a
desvantagem de não ser lido em qualquer drive. Esse problema da reflexão de
30% é outro que tende a piorar com o tempo.
Além disso - e agora falando de todos os tipos de CD -
quanto mais barato o CD, pior sua qualidade em todos os sentidos. O material plástico
base pode passar pelos problemas que relatamos e ainda outros como extrema
rigidez com o tempo, que torna o CD quebradiço ou pode ainda empená-lo. O
empenamento pode ser causado também por temperatura, uma vez que o coeficiente
de dilatação térmica da camada metálica e de gravação é diferente da plástica.
Você não se lembra de algum CD-R que começou a fazer barulho depois de um
tempo dentro do drive? Pois é, isso ocorre porque a camada metálica e de gravação
dilata menos do que a camada plástica, fazendo com que o CD se abaule para
cima, formando um "U" muito sutil que não chega a interferir na
leitura, mas pode arrastar em algum ponto do drive ou mesmo fazer barulho
movimentando o ar a sua volta.
A cor da mídia pode dar um indício do uso que podemos dar a
um CD. As mídias esverdeadas, por exemplo, eram inicialmente feitas com cianino
sobre ouro. Só que a concentração desse cianino é muito menor do que em um
CD azul. Isso faz com que esse tipo de CD quando usado para música pule com
mais facilidade, uma vez que ele tem uma menor densidade de superfície de gravação
e é mais reflexivo. Se o feixe de laser não acertar justo na trilha de gravação,
que nesse caso é bem menos densa, o CD vai pular.
Atualmente praticamente todas as mídias esverdeadas são
feitas de fitohalocianino sobre ouro. Como o fitohalocianino é menos azulado
que o cianino, para resultar um verde forte a concentração desse material tem
que ser muito maior, reduzido a reflexividade e aumentando a densidade da superfície
de gravação, que por sua vez torna as trilhas de gravação mais densas e faz
com que o CD pule menos.
Quando o fitohalocianino foi lançado os especialistas
levantaram a hipótese de que o cianino reagisse com o ouro, o que não foi
desmentido pela indústria. Isso faz com que o CD com essa combinação
(primeiros CDs verdes) tenha uma durabilidade muito menor do que os atuais. Além
do mais, esse tipo de mídia conquistou uma má fama devido aos primeiros CDs
verde da TDK não apresentarem uma camada contra arranhões tão eficiente
quanto deveria ser: qualquer mínimo arranhão fazia com que o disco incorresse
em erros de leitura.
É fácil entender também que os CDs com menor densidade de
superfície de gravação não são ideais para drives de maiores velocidades.
Quando um fabricante recomenda a velocidade de gravação e leitura do seu CD,
faz isso baseado em cálculos que envolvem a densidade do material de gravação
e do material reflexivo. Escolher um CD de acordo principalmente com a sua
velocidade de gravação, começa a ser fundamental quando a gravação ocorre a
mais de 8x, também chamada de velocidade crítica.
Entretanto, a mídia verde tem a vantagem de ser mais
permissiva a variações de potência do que as outras, fazendo ela ser mais legível
em diferentes drives, principalmente os mais antigos. Ainda hoje a mídia da TDK
é uma das melhores dessa categoria.
As mídias dourada e prateada são feitas de camadas de
fitohalocianino sobre ouro. Como qualquer mídia com camada reflexiva dourada,
essas duas mídias possuem uma durabilidade maior, porque o ouro dura mais do
que a prata. Outra vantagem dessas mídias é o fato de trabalharem melhor em
altas velocidades de leitura e gravação do que os discos verde.
Isso ocorre porque o fitohalocianino usado nessas mídias é
mais incolor e portanto tem que ser muito mais concentrado para tornar a camada
dourada reflexiva muito mais clara do que a cor natural do ouro. Nos CDs
prateados essa camada reflexiva leva outros metais na liga que o tornam menos
dourado, principalmente o alumínio que é encontrado em CDs mais baratos, mas
ainda assim possuem predominantemente ouro 24 K. Obviamente existem os maus
fabricantes, que compensam a cor diminuindo a concentração de fitohalocianino
e abaixando o ouro de 24 K para 20 K, 18 K e mesmo absurdos 16 K! É o caso da
maioria dos CDs prata/esverdeado vendidos no Brasil a R$ 2,90 a unidade. Não
bastasse a inclusão de prata, cobre e outros metais na liga de ouro, eles são
praticamente 50% de alumínio. Tome cuidado! Além desses CDs serem os piores em
durabilidade, são os menos recomendados para áudio e leitura/gravação em
drives acima de 8x.
Mas, voltando às qualidades dos bons CDs dourados e
prateados, em testes informais e não científicos realizados por especialistas
norte-americanos, estes CDs provaram ser os melhores para CD Players de automóveis,
devido a sua maior densidade de trilha e relação de reflexividade fora das
trilhas ser menor. Entre as melhores mídias para esta finalidade estão a Prata
da Ricoh e a Gold da Mitsui.
As mídias a base de ouro são as mais tolerantes à variação
de temperatura, o que, voltando no que já foi dito, é mais um ponto positivo
para seu uso em automóveis. Quando alia-se a isso um bom material plástico do
disco, que tenha o mesmo coeficiente de dilatação (apenas em discos de boa
qualidade, como os Mitsui), torna-se muito difícil perder-se dados devido à
dilatação/contração do CD.
A mídia Gold da Maxell ganhou uma reputação detestável
pela Internet e principalmente na Usenet há alguns anos atrás. Em Abril de
1997 a empresa anunciou que havia reformulado suas composições e linha de
produção e que seus CDs dali por diante funcionariam muito melhor. Realmente,
hoje a Maxell é uma das melhores mídias gold do mercado.
Existem ainda cálculos que determinam o chamado BLER, ou
Block Error Rate. Na Internet você pode encontrar uma variedade de BLER de
gravadores e mídias em http://www.digido.com/chart.html.
Um mídia com uma taxa de erro por bloco muito alta não pode ser usada para
"simular CDs de 700 MB", por exemplo, que veremos adiante.
Mídias com um BLER alto podem apresentar distorções no som
que são completamente indesejáveis e que muitas vezes passam despercebidos a
ouvidos menos treinados. Quanto maior a densidade da superfície de gravação
menor o BLER do CD. Cabe lembrar que esse cálculo inclui ainda o gravador
utilizado, que pode ser de boa ou má qualidade, tornando uma excelente mídia
material imprestável.
Por último, temos a mídia azul que é formada por uma
camada de cianino em alta concentração sobre prata. Esse tipo de mídia
geralmente é indicada para drives com maior velocidade seja de leitura ou gravação.
Por ser basicamente cianino e um metal incolor, é mais fácil identificar
quando um CD destes é de boa qualidade ou não, principalmente depois de
gravados porque os CDs que "simulam" um azulão através de corantes
na camada perdem todos estes corantes na gravação e ficam com as trilhas
gravadas muito visíveis e bem mais claras no CD.
As mídias azuis mais baratas quase nunca são confiáveis,
porque levam muito alumínio(algumas até 88%) na liga reflexiva e isso reduz a
vida útil em muitos anos, apesar de agüentar maiores variações de
temperatura.
Os CDs azuis também são indicados para gravação de som,
mas não são indicados para o uso em CD Player de automóveis. Por terem uma
camada reflexiva composta por prata, sua durabilidade é muito menor e muito
mais metal se desprende desse tipo de CD. Os que possuem altas doses de alumínio
desprendem ainda mais metal(desprende prata apenas). Esse metal pode se acumular
na cabeça de leitura do CD Player o que faz com que ele leia incorretamente o
disco e muitas vezes não reconheça que existe um disco lá, recusando-se a
ejetá-lo! Se isso ocorre em um CD Player de painel de carro, por exemplo, haverá
um imenso trabalho para retirar o disco de lá.
Esses discos também são menos tolerantes à variação de
temperatura e normalmente perdem muito de sua vida útil quando expostos a esses
fenômenos. Optar por um bom fabricante, que coloque o material plástico do
disco com o mesmo coeficiente de dilatação ou um coeficiente muito próximo é
sempre bom para manter a integridade dos dados e aumentar a durabilidade do
disco.
Mas a mídia azul também tem suas vantagens. Depois da mídia
verde é a que está menos suscetível a erros por variações de potência e as
suporta muito bem. Se exposto a uma fonte de diferentes freqüências como o
sol, por exemplo, é muito menos provável que venha a dar erro do que outras mídias,
porque o cianino responde a menos comprimentos de onda do que o fitohalocianino.
São menos sensíveis a pequenos arranhões, mesmo sem
camadas se proteção especiais, devido à concentração do cianino e alta
densidade das trilhas e normalmente esses discos são recomendados para backups.
É a melhor mídia para gravação e leitura em altas velocidades.
A Vida Útil Real
Existem duas vidas úteis do seu CD-R novo. A vida útil
depois de gravado e a vida útil antes de gravar. Normalmente os CDs sem estarem
gravados possuem uma vida útil entre 5 e 10 anos. Essa vida útil reduzida
deve-se ao fato de que as propriedades eletromagnéticas do cianino e do
fitohalocianino perdem-se com o tempo.
Depois de gravados, os CDs porem durar 75 anos, nos casos das
mídias verde e azul, 100 anos quando a mídia é a dourada e 200 anos quando a
mídia é a prateada. Entretanto esses dados são fornecidos por fabricantes sem
que nenhum teste tenha sido feito e podem variar bastante.
Uma mídia prateada com alumínio, por exemplo, dura muito
menos da metade do tempo que um CD prateado sem alumínio na camada reflexiva.
Isso pode ser aplicado a outras ligas metálicas e é outro componente
importante que não é levado em consideração nos cálculos que consideram 75,
100 e 200 anos e que lidam apenas com as meias vidas do cianino.
Uma coisa é certa. Seguir à risca as condições de
armazenagem e manutenção do disco garantem um aumento considerável da vida útil
dele, tanto enquanto virgem quanto depois de gravado.
Se compararmos estes prazos de garantia com os dos CDs
prensados, veremos toda a diferença. Um CD de áudio convencional tem garantia
de durabilidade entre 10 e 25 anos! Isso porque, apesar de serem prensados e não
"gravados", a camada de alumínio praticamente puro que repousa na
base deles começa a se corroer mais rapidamente. Isso pode ser observado se você
comparar, com auxílio de um microscópio, CDs de música novos e de 10 anos atrás.
Você poderá notar rachaduras entre as trilhas e atravessando elas.
Para finalizar esta parte vou lembrar que apesar de haver uma
padronização muito séria em relação à mídia, não existe qualquer
padronização em relação às dimensões de CDs e leitores de CD. Assim, um
drive que não lê o seu CD mas toca um CD prensado perfeitamente pode trazer
muita dor de cabeça. A solução nesses casos é trocar ou o drive ou a mídia.
CDs com Mais de 650 MB
Os CDs que encontramos hoje no mercado brasileiro são os de
640 MB e 650 MB. Dificilmente encontraremos CDs de menor ou maior capacidade,
principalmente a preços acessíveis. Na hora de gravar um CD desse tipo cria-se
um problema: como fazê-lo?
Em primeiro lugar é preciso entender como os dados são
gravados nos CDs. Eles são gravados em setores de 2352 bytes. Sendo que,
destes, apenas 2048 ficam para os dados. Os 304 bytes restantes são usados para
correção de erros e outras coisas mais. Algo extremamente importante para
evitar erros de leitura do disco que são normalmente resolvidos com comando de
"retry", principalmente se sua mídia possuir altas taxas de erro por
leitura de bloco (BLER).
CDs gravados neste formato DADO + CRC + INF são também
chamados de Modo 1. É devido ao Modo 1 que você só pode gravar 650 MB em um
CD fisicamente desenvolvido para 740 MB de áudio.
Um erro comum nesses cálculos é assumir que o fabricante do
seu CD entende megabyte como os fabricantes de HD, ou seja, 1000 x 1000 (10^6).
Megabyte para os fabricantes de CD é o que realmente é, ou seja, 1024 x 1024
(2^20). Isso também explica o fato do aparecimento de curiosos CDs de 680 MB no
mercado brasileiro. Esses CDs não são de 680 MB! São de 650 MB como qualquer
outro, a diferença é como o megabyte é interpretado. No caso desses CDs é
exatamente como os fabricantes de HD fazem e geralmente estes CDs são de
fabricantes de HD, como a Samsung. É até interessante, porque existem CDs da
Samsung com etiquetas de 650 MB e de 680 MB. Parecem tratar-se de CDs
diferentes, mas são o mesmo CD, só que um é produzido por uma unidade que
também produz HDs e outra não. Resumindo, um CD de 680 milhões de Bytes tem
650 MB e não 680 MB.
Como então um CD de 650 MB pode suportar até 740 MB?
Simples, basta usar o espaço reservado para CRC + INF para gravar dados também.
O que dá 80 MB a mais em um CD. CDs gravados desta maneira são referidos por
CDs em Modo 2.
Alguns programas permitem realizar este tipo de gravação,
mas nem todos os gravadores permitem fazê-lo. Alguns gravadores (entenda-se a
maioria vendida no Brasil) estão programados para gravar o CRC + INF no disco,
independente da ordem do programa. É preciso tomar cuidado com isso, porque se
o programa não souber tratar este erro e corrigir o tamanho da imagem de CD
gerada, você pode perder um CD e até mesmo danificar seu gravador. Ainda não
vi um manual que fizesse referência a esse tipo de característica do gravador,
e os manuais que informam que gravam CDs de até 680 MB estão normalmente
errando as contas explicadas acima.
CDs gravados em Modo 2 não são lidos tão facilmente em
qualquer drive de CD e podem apresentar inúmeros erros de um micro para outro
de acordo com a configuração e montagem/cabeamento dos dispositivos internos.
Antes de gravar um CD em Modo 2 e economizar alguns reais com este procedimento
é preciso pensar quanto tempo isso pode custar.
Ao gravar CDs em Modo 2 dê preferência a mídias de alta
densidade de superfície de gravação, desenvolvidas para drives de gravação
de alta velocidade e grave o CD em 1x. Tudo isso a fim de prevenir erros. É
preciso lembrar que este tipo de gravação acaba reduzindo a vida útil do CD,
pelo número de vezes que o feixe de laser passará pelos mesmos pontos do disco
procurando por informações que não existem e relendo setores que deram erro.
Outras mídias
Existem mídias de CDs com outras colorações, tanto no
mercado quanto em laboratórios de pesquisa. Uma delas que apareceu há alguns
meses atrás é a mídia vermelha. Essa mídia, assim como qualquer outra que não
seja prata, ouro, azul ou verde, é nada mais nada menos do que uma dessas
quatro mídias convencionais com um corante qualquer ou com uma liga metálica
diferente e até mesmo um fruto de corantes e liga metálica não convencional
ao mesmo tempo.
Por serem raros, estes CDs passaram por poucas análises, mas
parecem ser de qualidade inferior, principalmente pelo fato de levarem corantes!
Alguns fabricantes fazem testes com ligas a base de cobre em substituição ao
alumínio nos CDs prata, o que acaba resultando em um CD alaranjado e mesmo
vermelho, mas que possui basicamente as mesmas características dos CDs prata de
baixa qualidade mas com uma durabilidade e reflexividade maior, que faz eles
serem lidos mais facilmente em drives diferentes.
Não se engane, estas tecnologias ainda não estão no Brasil
e desconfie de qualquer mídia diferente dos padrões citados neste artigo. CDs
muito velhos não usados podem trocar de coloração com o tempo e o vendedor
acaba passando como "uma nova mídia" e muitas vezes a um preço de
nova mídia também.
Para Saber Mais
http://www.ricohcorp.com/press/platinum2.htm
http://www.emediapro.net/EM1998/starrett10.html
http://www.cd-info.com/CDIC/History/Commentary/Parker/stcroix.html
http://www.digido.com/chart.html
http://www.cd-info.com/CDIC/Technology/CD-R/Media/Longevity.html